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PFAS e tecnologia das bombas: trazer clareza à complexidade para os gestores do serviço de água

No setor dos serviços de água, poucos temas suscitaram, nos últimos anos, um nível de atenção e de incerteza comparável ao dos PFAS. Os meios de comunicação referem-se-lhes como “forever chemicals”, substâncias químicas eternas. As autoridades reguladoras estão a alargar progressivamente o âmbito das avaliações. E os operadores do setor deparam-se com uma questão tão legítima quanto urgente: o que significa tudo isto para os equipamentos em que confiamos todos os dias?

Conhecemos bem essa pressão. Gerir infraestruturas envelhecidas, adaptar-se a regulamentações em constante evolução e garantir às comunidades um abastecimento de água seguro e fiável deixa muito pouco espaço para ambiguidades. É precisamente por isso que acreditamos que chegou o momento de abordar o tema dos PFAS de forma clara, concreta e com toda a solidez da nossa competência técnica.

Compreender o verdadeiro significado de PFAS

PFAS, acrónimo de Per- and Polyfluoroalkyl Substances (substâncias per- e polifluoroalquílicas), é um termo que abrange uma família ampla e extremamente diversificada de substâncias químicas sintéticas. O que todos os compostos PFAS têm em comum é uma ligação carbono-flúor (C–F): uma das ligações simples mais fortes da química orgânica, com uma energia de dissociação da ligação de cerca de 500 kJ/mol. Esta estabilidade extraordinária é precisamente o que torna estes compostos tão eficazes como materiais para aplicações de engenharia e, em algumas formas, tão persistentes no ambiente.

Mas é aqui que a precisão assume uma enorme importância. Nem todos os PFAS se comportam da mesma forma, e tratar toda a classe como um único risco monolítico obscurece precisamente as distinções que deveriam orientar decisões sensatas e baseadas na ciência.

Os PFAS dividem-se em duas categorias fundamentalmente diferentes. Os fluoropolímeros — materiais como PTFE, PVDF, FEP, FKM, FFKM e ETFE — são compostos de cadeia longa e elevado peso molecular. A sua dimensão e a sua estabilidade estrutural fazem com que não possam migrar a nível molecular ou atómico; por outras palavras, não podem atravessar membranas biológicas nem difundir-se na água em concentrações significativas. Por esse motivo, os organismos científicos e as autoridades reguladoras consideram-nos, em geral, substâncias de baixa preocupação, devido ao elevado peso molecular, à excecional estabilidade química e à reduzida biodisponibilidade.

Os PFAS não poliméricos, por outro lado — incluindo os PFAA, os tensioativos fluorados e as espécies relacionadas de cadeia curta —, são moléculas pequenas e móveis. Precisamente por causa da sua dimensão, podem circular através dos sistemas hídricos, acumular-se nos tecidos biológicos e, em determinadas subcategorias, apresentar atividade endócrina e outros efeitos adversos documentados para a saúde. São precisamente estas espécies não poliméricas que, com razão, atraíram o escrutínio regulatório mais intenso, e é a distinção entre estas duas categorias que qualquer operador deve compreender claramente.

Existe ainda um outro aspeto de transparência que um público cientificamente informado merece conhecer com clareza: os PFAS não poliméricos são frequentemente gerados, utilizados ou libertados durante a produção, o processamento e a eliminação dos fluoropolímeros. Embora o fluoropolímero final em si seja uma molécula grande e estável que suscita baixa preocupação, o seu ciclo de vida produtivo está intrinsecamente ligado a espécies PFAS não poliméricas mais pequenas, móveis e muitas vezes tóxicas. Este é um desafio sistémico, não limitado a um produto individual — e a resposta recente da indústria química demonstra-o claramente. Perante a pressão regulatória, muitos fabricantes mudaram para tensioativos fluorados “alternativos”: compostos de cadeia mais curta ou novas moléculas propostas como substitutos mais seguros. Mas estas alternativas continuam a ser PFAS não poliméricos. O problema não foi resolvido — foi deslocado. É precisamente por isso que a abordagem da Xylem não consiste simplesmente em declarar os fluoropolímeros seguros e seguir em frente, nem em perseguir reformulações que apenas transferem o risco para outro lado. A nossa resposta é uma escolha de prudência concreta: utilizar fluoropolímeros de forma seletiva e limitada, apenas onde atualmente não existe qualquer alternativa viável, onde a necessidade de desempenho é real e comprovada, e onde não existe qualquer indicação de uma proibição regulatória iminente. Acreditamos que esta é a posição mais transparente e também a mais defensável — para os nossos clientes, para as entidades reguladoras e para as comunidades que todos servimos em conjunto.

“A distinção entre fluoropolímeros e PFAS não poliméricos não é uma simples nota técnica — é um ponto central na forma como avaliamos o risco e concebemos as soluções. Os fluoropolímeros têm sido utilizados de forma segura nas infraestruturas hídricas durante décadas, porque a sua arquitetura molecular impede esse nível de mobilidade e biodisponibilidade associado aos PFAS nocivos.”
Mauro Agostini, Mechanical Engineering Lead, Applied Water, Xylem

Como e por que motivo utilizamos fluoropolímeros na engenharia de bombas

Na engenharia de bombas, os fluoropolímeros encontram aplicação graças a um desempenho que, sinceramente, é difícil de replicar. No portefólio Lowara Applied Water, os fluoropolímeros surgem em três áreas críticas da conceção das bombas.

Nos sistemas de vedação, materiais como FPM, FKM e FFKM — elastómeros perfluorados comercializados também sob as marcas Viton™ e Kalrez® — garantem resistência química a uma vasta gama de fluidos agressivos, desde água potável clorada até fluidos de processo industrial. Mantêm a estabilidade dimensional mesmo perante amplas variações térmicas que degradariam os materiais de vedação convencionais, protegendo os componentes internos da bomba e prevenindo fugas mesmo nas condições de funcionamento mais exigentes.

Nas aplicações de rolamentos, o PTFE assegura baixo atrito e uma extraordinária resistência ao desgaste, o que se traduz diretamente em intervalos de manutenção mais longos e numa redução das intervenções de manutenção. Para os gestores que administram grandes frotas de bombas distribuídas ao longo das redes hídricas, esta redução do encargo de manutenção ao longo do ciclo de vida não é um detalhe secundário: representa uma vantagem operacional e económica significativa.

No revestimento dos cabos dos motores submersos, materiais como FEP e ETFE protegem os sistemas elétricos que operam em ambientes subterrâneos e subaquáticos, onde a exposição à humidade, a substâncias químicas e a esforços mecânicos é contínua. Nestes contextos, a integridade dos cabos não é apenas uma questão de operacionalidade — é uma questão de segurança.

Estas são decisões de engenharia assentes em décadas de validação no terreno, adotadas porque nenhuma alternativa atualmente disponível oferece a mesma combinação de resistência química, durabilidade mecânica e fiabilidade operacional comprovada — em particular nas aplicações destinadas a infraestruturas de água potável, onde o desempenho e a segurança são indispensáveis.

É importante sublinhar que, no amplo portefólio Lowara, o EPDM continua a ser a solução de vedação padrão na maioria das aplicações. As versões com fluoropolímeros são adotadas de forma seletiva, apenas nas aplicações em que o desempenho exigido o torna realmente necessário e em que ainda não existe uma alternativa viável.

Uma visão transparente do panorama regulatório

O enquadramento regulatório em torno dos PFAS está em evolução e acompanhamo-lo com grande atenção e participação ativa. Desde o início das discussões preliminares a nível europeu, o número de espécies PFAS sob análise ativa aumentou de cerca de 5.000 para cerca de 10.000. Ao mesmo tempo, não foram introduzidas restrições específicas a substâncias fluoropoliméricas individuais, nem foram formalmente definidos novos valores-limite para os materiais das bombas ou para aplicações em infraestruturas hídricas.

Não estamos à espera de que o enquadramento regulatório seja finalizado para agir. A nossa avaliação interna do portefólio de produtos Applied Water já está em curso: estamos a desenvolver uma atividade sistemática de identificação de componentes que contêm fluoropolímeros, avaliando e adotando alternativas sempre que existam soluções concretas e viáveis. Trata-se de um compromisso contínuo, porque uma gestão verdadeiramente responsável não se limita a acompanhar a mudança, mas antecipa-a.

Para todos os produtos Lowara destinados a aplicações com água potável, já existem certificações de terceiros de acordo com os respetivos esquemas de aprovação, com parâmetros PFAS monitorizados ativamente e sujeitos a reavaliação à medida que o enquadramento regulatório evolui. Estas certificações não são meras formalidades administrativas: representam uma verificação rigorosa de que as nossas soluções cumprem os mais elevados padrões de proteção da saúde humana.

“A certificação no setor da água potável nunca é um objetivo estático, é um compromisso constante. À medida que os parâmetros PFAS continuam a entrar nos enquadramentos regulatórios em toda a região EMEA, trabalhamos proativamente para garantir que cada produto Lowara destinado ao contacto com água potável seja avaliado com base nos requisitos em evolução. As nossas certificações de terceiros oferecem uma garantia independente não só para nós, mas para cada operador, engenheiro e regulador que depende destes equipamentos. Manter a liderança nesta área exige uma estreita colaboração ao longo de toda a cadeia de fornecimento, uma responsabilidade que assumimos com o máximo empenho.”
Enrico Caterini, Standards and Product Certifications Specialist AW – EMEA, Xylem

O que tudo isto significa para as vossas operações

Se gerem infraestruturas hídricas, têm uma responsabilidade fundamental: garantir que os equipamentos que instalam e gerem não comprometem as comunidades nem os serviços essenciais que deles dependem. É uma responsabilidade que partilhamos convosco: no terreno, no processo de especificação e no trabalho contínuo de melhoria do nosso portefólio.

A nossa posição baseia-se na ciência: os fluoropolímeros utilizados nos componentes das bombas Lowara são materiais de elevado peso molecular e quimicamente estáveis, cuja segurança em aplicações de água potável é validada por décadas de utilização. Distinguem-se claramente das espécies PFAS não poliméricas, móveis e de cadeia curta, que estão no centro das principais preocupações regulatórias e de saúde pública. Continuaremos a investir na procura de materiais alternativos para que, à medida que surjam opções realmente válidas, possamos fazer evoluir o nosso portefólio sempre que os padrões de desempenho possam ser mantidos sem compromissos.

A água é um bem demasiado essencial — e as infraestruturas que a distribuem demasiado críticas — para aceitar algo menos do que plena transparência e colaboração ativa. Juntos, queremos garantir que os equipamentos no centro das vossas operações oferecem não só um desempenho fiável, mas também a tranquilidade que resulta de saber exatamente o que contêm, por que razão esses materiais estão presentes e como são geridos.
Estamos aqui para vos ajudar a enfrentar este cenário com clareza, porque é assim que construímos um futuro hídrico mais seguro para as comunidades que dele necessitam.

Para pedidos técnicos relacionados com as especificações e certificações dos produtos Lowara, contacte o seu representante da Xylem Applied Water.

Nota sobre marcas registadas: Viton™ é uma marca da The Chemours Company FC, LLC. Kalrez® é uma marca registada da DuPont de Nemours, Inc. ou das suas afiliadas. Estas marcas são mencionadas exclusivamente para fins descritivos, com o objetivo de identificar os materiais utilizados nos componentes das bombas Lowara. A Xylem Inc. não é afiliada, patrocinada nem oficialmente associada à The Chemours Company FC, LLC ou à DuPont de Nemours, Inc.