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Chega de correr atrás das avarias: a manutenção programada faz a diferença

Uma abordagem estruturada da manutenção permite reduzir custos ocultos, prevenir paragens da instalação e melhorar a continuidade operacional a longo prazo.

No meu trabalho, continuo a verificar frequentemente que a manutenção das bombas ainda é gerida segundo uma lógica reativa: intervém-se apenas quando ocorre uma avaria. É uma abordagem compreensível, sobretudo em contextos operacionais muito dinâmicos, mas que, ao longo do tempo, acaba por trazer consequências recorrentes: custos não planeados, dificuldades organizacionais e, acima de tudo, interrupções de serviço que poderiam ter sido evitadas.

Nos últimos anos, contudo, tenho observado com cada vez maior clareza uma mudança de abordagem: a transição para uma manutenção programada, mais estruturada e consciente. Não se trata simplesmente de “fazer manutenção mais cedo”, mas de introduzir um método que permita gerir as instalações de forma mais previsível e sustentável.

Do modelo reativo ao modelo proativo

No modelo tradicional, a manutenção é frequentemente orientada pela urgência. Uma avaria desencadeia uma cadeia de acontecimentos que inclui a paragem da instalação, uma intervenção técnica não planeada e a procura urgente de peças de substituição. O resultado é um sistema difícil de controlar, tanto em termos de custos como de continuidade operacional.

A abordagem proativa inverte esta lógica. As intervenções são planeadas antecipadamente, integradas nos ciclos operacionais e coordenadas com os períodos menos críticos da instalação. Isto permite transformar um imprevisto numa atividade gerida, reduzindo o impacto no serviço e melhorando a previsibilidade global.

Os diferentes níveis de manutenção

Nem todas as estratégias de manutenção têm o mesmo impacto. A manutenção corretiva representa o nível mais básico: intervém-se apenas após a avaria. Em determinadas situações é inevitável, mas não pode ser a base de uma gestão eficiente.

Um avanço significativo é representado pela manutenção preventiva, que prevê intervenções programadas em intervalos regulares. Na minha experiência, é frequentemente o ponto de equilíbrio mais eficaz entre complexidade de gestão e benefícios obtidos.

Existe também a manutenção preditiva, baseada na monitorização das condições reais de funcionamento. Trata-se da abordagem mais avançada, embora exija ferramentas e investimentos mais estruturados. Para muitas aplicações, a manutenção preventiva continua a ser atualmente a solução mais prática e imediatamente aplicável.

Frequências e critérios de intervenção

Definir a frequência das intervenções nunca é uma atividade totalmente padronizada. Depende de fatores como as horas de funcionamento, o tipo de aplicação, o ambiente operacional e a antiguidade da instalação.

De forma geral, as aplicações mais críticas exigem um nível de atenção mais elevado, com controlos mais frequentes e verificações mais aprofundadas. Já as aplicações standard ou menos contínuas podem seguir ciclos mais alargados, sem comprometer a fiabilidade do sistema.

Mais importante do que a frequência em si é a coerência do modelo: ter uma lógica clara e replicável em todo o parque instalado.

O valor da normalização operacional

Um dos aspetos que considero mais relevantes é a normalização das atividades de manutenção. Dispor de checklists claras e partilhadas permite reduzir a variabilidade das intervenções e aumentar a qualidade do controlo.

Mesmo atividades simples, como a inspeção visual ou o controlo de vibrações e temperaturas, tornam-se muito mais eficazes quando são realizadas de forma sistemática e comparável ao longo do tempo.

Da mesma forma, os controlos instrumentais fornecem indicações objetivas sobre o estado da máquina e permitem detetar sinais de degradação antes que estes se transformem em avarias.

Conclusão

No geral, a manutenção programada representa uma evolução natural na gestão das instalações de bombagem. Não é apenas uma questão técnica, mas uma mudança de abordagem que influencia diretamente a fiabilidade, os custos e a continuidade operacional.

No meu trabalho diário, vejo claramente como as organizações que adotam este modelo conseguem gerir as instalações de forma mais estável, reduzindo imprevistos e aumentando o controlo global do sistema.

Jordi Domingo - AW Iberia Warranty & Aftermarket Manager